Slow Beauty: a Beleza Minimalista

O conceito de beleza têm passado por mudanças ao longo da história da humanidade. A rapidez que a vida moderna demandava foi absorvida pela beleza em um fenômeno chamado fast beauty (beleza rápida). O belo estava ligado a uma padronização estética na qual aparentar mais jovem era indispensável. A saúde era usada como pano de fundo para a imposição de uma ditadura da beleza. Nesse contexto, os cosméticos e as tecnologias deveriam prometer efeitos imediatos de manutenção e busca pela juventude. Em meio a esse cenário de consumo acelerado e crescente crise ambiental, com uma sociedade sem tempo para fazer as coisas prazerosas da vida, surgiu a busca por simplicidade.

A humanidade vive uma época de “conflito existencial” em que as pessoas estão desmotivadas e buscam sentidos maiores, querem ser mais significantes em um mundo cheio de informações e novidades. Como resposta, surge uma mudança no conceito de beleza através de uma vertente denominada slow beauty (beleza lenta). A busca pelo padrão deu lugar a uma valorização da beleza individual. Nessa nova concepção do que é ser belo, se ressalta a Beleza Minimalista, onde não cabem mais se submeter a vários procedimentos e ter grandes quantidades de cosméticos, que são substituídos por produtos naturais que agridem menos o corpo e o meio ambiente. Em lugar da juventude, a beleza de cada idade. Vários artigos, como o de Kaori Ishida (publicado na Revista Internacional de Ciências Cosméticas) relatam que a ideia do slow beauty é a próxima etapa social: o padrão de beleza não está em cada pessoa, mas em cada idade de si mesmo. A beleza é adquirida pela acumulação cotidiana; é possível perceber uma beleza diferente com o acúmulo dos anos. 

O movimento slow beauty é uma resposta direta a um estilo de vida que se tornou muito rápido e caótico. É a antítese do mundo acelerado da indústria da beleza que nos vende soluções rápidas, resultados imediatos e opções invasivas. Esta perspectiva nos tem feito correr contra o tempo e lutar contra o envelhecimento. A beleza minimalista visa o equilíbrio, a espiritualização da beleza (uma beleza holística) e a prática de um feminismo renovado, reenquadrando nossas ideias e ideais sobre a beleza. 

É neste cenário de mundo onde escolho atuar na Estética, abrindo espaço para a Beleza Minimalista, inspirando a autovalorização do indivíduo, que é um importante indicador para criar uma realidade com qualidade em todos os sentidos. 


Algumas referências: 

MOURA, Isabela Braga de. Slow beauty: uma etnografia digital do grupo beleza minimalista. 2016.Consumo consciente/Slow beauty - função não é exclusivamente a de suprir necessidades, mas de comunicação e mediação das relações socioculturais. 

ISHIDA, Kaori. From Age of Fast Beauty to Age of Slow Beauty, the Post-Modern Value. Journal of Society of Cosmetic Chemists of Japan, v. 40, n. 1, p. 3-15, 2006. 

http://www.slowbeauty.com/manifesto/ 

APPADURAI, Arjun. Mercadorias e a Política de Valor. In: A Vida Social das Coisas: as mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: EdUFF, 2009.­ 

CANCLINI, Néstor-Garcia. O consumo serve para pensar. In: Consumidores e Cidadãos. Rio de Janeiro: ed UFRJ, 1995. P. 51-100; MACHADO, Mônica. Consumo e politização: discursos publicitários e novos engajamentos juvenis. Mauad Editora Ltda, 2011.)


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