Um Eu Diferente Diante do Mundo


O corpo é definido a partir de suas características biológicas e fisiológicas, mas também é intensamente perpassado pelo contexto social e cultural em que o indivíduo se insere.


Neste momento de isolamento social, a concepção em relação a si mesmx e ao mundo tem sofrido um processo de restruturação. Somos convidados a nos ver, mesmo sem nos olharmos diretamente no espelho. Vemos sem nenhum disfarce nossos medos e vulnerabilidades. E estão todos expostos, sem maquiagem ou acessórios. Estamos, literalmente, de caras lavadas.


Esse contexto me inspirou a lançar algumas perguntas nas redes sociais:


▪️Após o isolamento social, o que será mais difícil de voltar a usar? Sutiã ou salto alto?


Estes são exemplos de acessórios desconfortáveis para muitas mulheres, mas que se normalizaram como parte do guarda-roupa feminino. 77% das pessoas responderam que o salto alto é o objeto que será mais difícil de voltar a usar.


Outra pergunta foi: Após o isolamento social, o que você não vai querer mais usar? 

Maquiagem ou acessórios e bijuterias?


55% das pessoas responderam acessórios e bijuterias. Mas ficou quase meio a meio.


E perguntei se gostariam de acrescentar algo mais a respeito dessas perguntas.


Os comentários foram bem semelhantes, mostrando que o isolamento social pode estar promovendo uma reflexão, mesmo que mínima, nas pessoas sobre o seu bem-estar e sobre o que realmente importa para elas.


Por outro lado, atuar mascarado, dançar conforme a música, de algum modo, pode ser também leve. Há inúmeras formas de expressão. Não precisa ter somente uma.


É importante ressaltar que o “pós-isolamento”, referido nas perguntas, é ainda um cenário incerto. Provavelmente, por um bom tempo, a máscara individual deverá ser nosso principal acessório, que substituirá alguns adereços comumente usados antes.


A máscara individual de hoje nos instiga a tirar as máscaras de ontem, do que éramos, nos preparando para a expressão de um Eu diferente diante do mundo. Não precisa ser de forma radical. Mas podemos nos dar essa chance pra atuarmos de diferentes formas de expressão.



Referência: 


CARVALHO, Marina Moreira Antonucci de. Os impactos de padrões estéticos hegemônicos e modelos de feminilidade na subjetividade das mulheres. 2018. 


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Criação de Aline Bitencourt